Alunos do Projeto Recicla ETEC já recuperaram 60 computadores RECEBER, montar, juntar e doar. Esse é o lema do projeto Recicla ETEC promovido pela Escola Técnica Estadual Antonio Devisate.

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 Matéria publicada originalmente no Correio Mariliense em 24/05/2012
HOJE SÃO QUATRO ALUNOS que reciclam os computadores, além dos conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula, o laboratório serve para a prática destes conhecimentos

Com um ano de vida, o projeto que tem o intuito receber o lixo eletrônico, reciclar as peças boas e posteriormente montar novos computadores tem a parceria de todos os alunos da escola que ao todo, já conseguiram resgatar 60 computadores no meio do lixo eletrônico.

Hoje, não existe um método seguro de descarte do lixo eletrônico à disposição da população. Por terem em sua composição metais pesados, esses produtos contaminam o meio ambiente e podem causar doenças sérias a quem os manipula sem proteção adequada.
Baseando-se nestes dados,é coordenado pelo Profº Fabio Henrique Zanella Moura o projeto Recicla ETEC que surgiu no ano de 2011 com a iniciativa de minimizar os riscos ambientais causados pelo lixo eletrônico, uma vez que a quantidade de lixo eletrônico produzido hoje no mundo é muito grande. Com isso, pensou-se na maneira mais viável de aproveitar esse lixo e transformá-lo em um produto que beneficiasse a toda a sociedade.
Os trabalhos realizados pelo projeto são inteiramente gratuitos e destinados a ajudar entidades através da coleta, reciclagem e reaproveitamento o lixo proveniente da Informática. “Começamos o projeto e não sabíamos que iria dar tão certo dentro da nossa escola” disse o coordenador. Os 60 computadores consertados foram destinados para entidades do município, bem como para a própria ETEC que muitas vezes precisa dos equipamentos.
Para ele o projeto promove a sensibilização ambiental dos alunos e ao mesmo tempo recicla os conhecimentos que envolvam os procedimentos atualmente adotados para o lixo tecnológico. “Hoje são quatro alunos que reciclam os computadores no nosso laboratório, além dos conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula, o laboratório serve para a prática destes conhecimentos ” destacou Fabio Henrique.
Um dos grandes objetivos do projeto Recicla ETEC é tornar-se uma referência na cidade no que diz respeito ao lixo eletrônico para que esta possa vir a beneficiar a população. “Quem tiver algum lixo eletrônico em casa pode trazer aqui na ETEC que vamos aceitar e reciclar”. O Profº Fabio disse ainda que caso alguma empresa também tenha materiais e não sabe para onde destinar, pode procurar a escola, para fazer a doação.
Para doações a ETEC- Escola Técnica Estadual Antonio Devisate atende no fone 14-34335467 ou no endereço Avenida Castro Alves, nº 62.

COM PROJETO DE LIXO ELETRÔNICO, ETEC DESTAQUE NO ENEM VAI À FEIRA TECNOLÓGICA EM SÃO PAULO

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Por Célia Ribeiro

No período de 25 a 27 de outubro, as mais de 300 mil pessoas que circularem pela 5ª. edição da FETEPS (Feira Tecnológica Paula Souza), em São Paulo, poderão conhecer um exemplar da criatividade e determinação de um grupo de alunos da Escola Técnica “Antônio Devisate”, de Marília. Liderados pelo professor Fábio Moura, eles apresentarão o projeto de reciclagem de lixo eletrônico que pode ser replicado em outras regiões do País.

Frederico, Keite e Débora no laboratório

No começo desta semana, no laboratório da escola, os estudantes Frederico Soares da Silva, 17 anos, Keite Passos, 25 anos e Debora Martins, 19 anos, falavam animadamente sobre a expectativa de apresentarem o trabalho da classe num dos principais eventos tecnológicos do Brasil, que também contará com a participação de expositores dos Estados Unidos, Chile e Espanha.

“Hoje em dia tem bastante garotas que se interessam por cursos de informática, de manutenção e programação. Se a gente não dominar, vai ficar tudo igual”, observou Débora. Ao seu lado, Keite revelou o ceticismo da família: “No começo, meu pai não botava fé. Hoje eu já conserto algumas coisas e ele viu que tenho jeito”.

Laboratório de informática: teoria e prática

Guerra dos sexos à parte, meninas e meninos, cheios de energia e criatividade, encontraram no professor entusiasta as condições para levarem adiante uma ideia: darem a correta destinação ao lixo eletrônico, principalmente aos equipamentos de informática sem uso. Foi assim que surgiu o projeto Reciclaetec: a partir de computadores e impressoras doados pela comunidade, algumas partes são recicladas e transformadas em chaveiros ou imãs de geladeira e as peças em bom estado são a matéria prima para consertar computadores doados às entidades e pessoas de baixa renda.

O robô de sucata, Fred,
com a equipe

Não é à toa que os alunos da ETEC “Antônio Devisate” sejam tão motivados: a escola foi classificada em segundo lugar no último ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio) da cidade ficando atrás do Colégio Criativo, fez questão de destacar o professor Fábio Moura. A sala de leitura, internet sem fio e instalações adequadas, apesar do pouco espaço, aliados aos professores e direção engajados, tornam a unidade um dos bons exemplos de ensino profissionalizante do Estado de São Paulo.

MEIO-AMBIENTE

De acordo com o projeto Reciclaetec, além da reciclagem dos equipamentos de informática que são doados, após recuperação, possibilitando a inclusão digital, outra preocupação é com a questão ambiental: “Estes equipamentos estariam destinados à sucata e se não forem reutilizados, serão desmanufaturados e seus componentes terão a devida destinação de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos”.

O professor lembra que o descarte do lixo eletrônico em Marília é um caso com poucas soluções e que, com a rápida evolução tecnológica, muitos computadores em bom estado de conservação são descartados transformando-se num problema, que é o destino deste resíduo.

Professor Fábio Moura

O projeto encontrou a solidariedade do técnico de informática Renato Augusto de Paula Alves, da Central SOS. “Quem quer doar, eu encaminho ou trago aqui os computadores, há mais de um ano. Faço isso para ajudar o projeto e tirar o lixo eletrônico da cidade”, revelou. Outra empresa apoiadora é a Tecnoplus. Mas, a população também pode entrar em contato pelos telefones: (14) 34335467 ou 34335274 ou e-mail:reciclaetec@etec.sp.gov.br

Se pessoas comuns se sensibilizaram, o mesmo não vale para grandes empresas e instituições oficiais contatadas pelo professor Fábio Moura. Ele disse que enviou ofício para indústrias, além do Banco do Brasil, Secretaria da Fazenda e Receita Federal e nem resposta obteve. A exceção foi a Secretaria Municipal da Saúde que doou 20 monitores em bom estado que estão sendo usados no laboratório de informática da Escola Estadual “Monsenhor Bicudo”.

Segundo o coordenador do projeto, já existem 05 computadores em condições de serem doados. Em agosto, aconteceu a primeira doação a um estudante com necessidades especiais (portador de paralisia cerebral e tetraplegia) de Pompéia. Em breve, será beneficiada uma adolescente moradora da favela Argolo Ferrão, que pretende se matricular no curso de informática da ETEC.

NOVA FASE
Sala de leitura da ETEC classificada em 2o. lugar no Enem

Com a divulgação do projeto, que tem o apoio de vários veículos de comunicação, entre os quais o Correio Mariliense, o Reciclaetec tem recebido muitos equipamentos de informática sucateados e o local para armazenamento tornou-se um problema que, felizmente, está a caminho da solução. O empresário Geraldo Sola Junior, residente em Presidente Prudente, cedeu um barracão na zona norte para estocar os materiais.

Dessa forma, explicou o professor, os equipamentos com peças em condições de uso serão trabalhados no laboratório da ETEC e reaproveitados; o que for sucata será vendido para empresas especializadas que darão a correta destinação e a renda será revertida à Associação de Pais e Mestres (APM) da escola.

Para colaborar com esse projeto ou conhecer melhor o Reciclaetec, acesse o portal da escola: http://www.reciclaetec.com.br/

*Reportagem publicada na edição impressa de 16.10.2011 do Correio Mariliense